Did Yorgos Lanthimos Just Blow a Perfect Film with 3 Minutes of Marlene Dietrich?
Será que Yorgos Lanthimos acabou com um filme perfeito com 3 minutos de Marlene Dietrich?

Bugonia pode ser o filme mais acessível de Yorgos Lanthimos até agora — e esse é justamente parte do problema. Em vez do absurdo hermeticamente fechado de The Lobster, temos Emma Stone como uma CEO fria e calculista sequestrada por dois primos fanáticos por conspiração que acham que ela é alienígena. A premissa é deliciosamente bizarra, mas a execução? É como assistir um chefe renomado preparar comida de micro-ondas.
O problema real não é o enredo nem as atuações — Stone é fenomenal, e Plemons é maravilhosamente desequilibrado — é o final. Aquela declaração musical final com 'Where Have All the Flowers Gone?' da Marlene Dietrich tocando por mais de três minutos? Não é sutil. Não é irônico. É um martelo no cérebro depois de duas horas de precisão cirúrgica. Lanthimos não apenas errou o alvo — ele pintou um alvo e atirou no próprio pé.
Olha, eu prefiro um experimento bagunçado de Lanthimos a um Spielberg impecável qualquer dia. Este filme não está tentando agradar a Academia nem sua mãe. É frio, alienante e profundamente estranho — e é justamente esse o objetivo. O final com Dietrich? Sim, é óbvio demais. Mas também cai como uma canção de ninar distorcida. Não deveria parecer merecido — deveria assombrar.
Este filme parece uma tese sobre a desumanização corporativa embrulhada numa trama de filme B sobre alienígenas. Michelle não é apenas uma CEO — é o capitalismo em estágio avançado tornado carne. E Teddy? É o ego paranoico da era da internet. O fato de ele vê-la como não humana não é ironia. É justamente o foco.
Mais um filme de Lanthimos e outra desculpa para pessoas pretensiosas dizerem que 'o desconforto é a mensagem'. Já entendemos. Alienação. Frieza. O vazio da vida moderna. Podemos ter um filme que não pune o público por comparecer?
Você está perdendo a ironia de seu próprio desabafo: filmes devem nos desafiar. Se quer conforto, assista Hallmark. Lanthimos não está fazendo entretenimento — está erguendo um espelho de casa de diversões ao nosso repressões emocionais.
Não me importo com os temas nem com o final — só quero saber como Stone consegue fazer atuações tão intensas e controladas enquanto está coberta de sangue falso e fita isolante.
Aquela música da Dietrich não foi ruim — foi ousada. A maioria dos diretores usaria um riff triste de piano. Lanthimos escolheu uma balada antiga contra a guerra e assumiu o risco. Não é sutil, mas sutileza está superestimada em 2024.
A verdadeira tragédia não é o final — é que ainda fingimos que Lanthimos é algo além de um truque repetido. Mesmo diálogo impassível, mesmo enquadramento estéril, mesmo pavor existencial. Até o roteiro 'original' parece um remix.
E vamos ser sinceros — quantos filmes deste ano você ainda vai discutir em janeiro? O fato de este continuar na sua cabeça é prova de que funcionou.