Is 'Pantry Cooking' Just a Buzzword Now? How $20 Olive Oil Became a 'Budget' Ingredient
Cozinhar com o que tem na despensa virou só um bordão? Como azeite de R$120 virou 'ingrediente econômico'

O novo livro de Alison Roman, Algo do Nada, promete ‘cozinhar com o que tem na despensa’, mas as receitas exigem não apenas azeite de oliva em grandes quantidades, mas também pimentas Calabresas, labne fresco e brotos de ervilha. Isso não é improvisar. É ostentar.
O verdadeiro cozinhar com o que tem na despensa nasce da bagunça e da restrição — aquele tipo de situação que acontece quando seu saldo bancário está no vermelho e sua geladeira vazia. Mas isso aqui? É ‘esforço mínimo’ para gente que acabou de reformar a cozinha.
Eu faço cozinhar com o que tem na despensa desde 2008. Minha versão? Biscoitos e manteiga de amendoim. Ou arroz, lentilhas e uma cebola triste. Ninguém chama isso de ‘um clima’. E adoro a Roman, mas esse livro parece a interpretação de rico sobre ‘se virar’.
Espera, estamos fingindo que ‘usar o que tem’ não pode ser bonito? As receitas da Roman são aspiracionais, não literais. Elas capturam o espírito de criatividade, só que com ingredientes melhores. Ainda é criatividade.
Comprei este livro esperando esticar meu orçamento semanal de R$300 em comida. Em vez disso, acabei gastando R$360 em harissa e nozes. Obrigado, Alison. Que ajuda maravilhosa.
O objetivo original do cozinhar com o que tem na despensa era evitar comprar às pressas. Agora virou só um tema para livros que te obrigam a comprar ingredientes niche que você vai usar uma vez. Isso não é criatividade. É desperdício.
Chamar de ‘desperdício’ ignora que as pessoas podem comprar harissa justamente porque um livro as inspirou a experimentar. Aquela potinha pode levar a mais cozinha, não menos.
Na minha vila, a gente usava pão velho, azeite e alho para tudo. Sem nomes sofisticados. Sem livros de receita. Só fome e um pouco de orgulho. Isso sim era cozinhar com o que tem na despensa.
Essa mudança reflete uma tendência maior: a estética da pobreza. ‘Despensa’ soa humilde, mas é cuidadosamente escolhida. Como roupa de brechó usada com sapatos de grife. Não é sobrevivência. É figurino.