San Francisco Just Built 124,000 sqm of Affordable Housing — Is This the Future or a Giant Gentrification Trojan Horse?
São Francisco acabou de construir 114 mil m² de moradia acessível — Isso é o futuro ou um cavalo de Tróia da gentrificação?

Então São Francisco lança 114 mil m² de moradia acessível nova, batizada em homenagem ao ex-prefeito Edwin M. Lee — um defensor da inclusão —, e esperam que a gente comemore. Mas vamos combinar: quando empreendimentos de luxo aparecem ao lado e os valores dos imóveis disparam, quem realmente se beneficia? Muitas vezes esses projetos são menos sobre resolver a moradia e mais sobre relações públicas urbanas com painéis solares.
O design é elegante, não há dúvida — parabéns à equipe da LMS Architects e do CCDC. Mas mudança real significa controle comunitário de longo prazo, não apenas escadas bonitas e jardins no terraço. Até enfrentarmos o lucro como motor da moradia, toda 'vitória' no desenvolvimento urbano virá com um asterisco.
Botam o nome de um prefeito morto e acham que isso resolve alguma coisa? Já passei dois invernos dormindo sob o viaduto da 101. O prédio fica bonito no ArchDaily, mas consigo pagar 1,8 mil dólares por um estúdio com ‘vibes comunitárias’? Não? Então não é pra mim. Mais uma fachada disfarçada de progresso.
Sinceramente, as vigas de madeira laminada e o paisagismo com plantas nativas são deslumbrantes. Vocês estão olhando os detalhes? Esse é um projeto de moradia social de alto nível. Não dá pra desmerecer uma boa arquitetura só porque a política está falhada.
Os dois têm razão. O design importa — afeta saúde mental, segurança, dignidade. Mas sem teto no aluguel e fundos comunitários de terra, até o prédio mais bonito vira só mais um ativo para especulação.
Não estou desmerecendo os arquitetos. Sei que não é culpa deles. Mas não me diga que um prédio de 124 milhões não conseguiu incluir mais uma pessoa de graça. Tinham espaço para painéis solares, mas não para almas?
Os números não mentem. Esse projeto foi co-desenvolvido pelo CCDC e pelo Swords to Plowshares — ambos sem fins lucrativos. Isso muda a estrutura de incentivos. A maioria dos investidores odeia moradia acessível de longo prazo. Esses aí estão correndo a maratona, não o sprint.
A equipe da KPFF acertou em cheio o design para cargas laterais na zona sísmica 4. Em 20 anos, isso vai salvar vidas. Todo esse debate social é importante, mas também é importante não ver seu prédio virar panqueca num terremoto de 7,0.
Exatamente. E essas especificações sísmicas significam que foi financiado com verba pública. O que quer dizer que nós, o povo, temos o direito de exigir responsabilidade — não só pela engenharia, mas por quem é abrigado.
Só para lembrar: o prédio tem 114 mil m², mas ‘acessível’ só para quem ganha até 80% da Renda Média da Área. Isso não é baixa renda. Não vamos chamar de ‘acessível’ o que na verdade é ‘próximo ao mercado com coberturas para aliviar a culpa’.